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Mato Grosso x lixo

Mato Grosso está entre os estados que não sabe lidar com seu lixo.

Mato Grosso está entre os estados que pior lidam com o lixo que produzem, revela estudo da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), pois não coleta nem 65% das 2,85 mil toneladas aqui produzidas diariamente. Em Cuiabá, apesar da situação não chegar ao ponto de Colniza (pior município do Brasil tanto em coleta quanto em destinação adequada, pois produz 2,7 toneladas/dia, não coleta nem 50% dele e ainda utiliza-se de um lixão para destinar tudo que recolhe), a situação também não é a ideal, pois, segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), a capital coleta “entre 400 e 470 toneladas diariamente”, mas produz 526,8 toneladas de resíduos sólidos todo santo dia. Ou seja, entre 56,8 e 126,8 toneladas de lixo seguem rumo ignorado todos os dias.

São recolhidas 5 toneladas de resíduo sólido de saúde por dia. E o número é uma projeção, considerando-se ter a Sema dado início somente no ano passado a um inventário da produção dos municípios. “Esses resultados ainda não estão totalmente computados”, diz a coordenadora de gestão de resíduos sólidos, Solange Cruz. “A Sema vem trabalhando há tempos nessa questão de licenciamento e fiscalização das atividades de coleta. No início de 2008, a secretaria contratou o IEL [Instituto Euvaldo Lodi] para fazer o inventário de resíduos urbanos, dos serviços de saúde e também de resíduos industriais, mas tudo ainda está sendo analisado para ser disponibilizado à população e para a Sema saber quais atitudes tomar”, continuou.

Quanto aos outros números apresentados pela Abrelpe e pelo IBGE – uma de suas pesquisas estima que cada brasileiro produz um quilo de lixo por dia, na qual a reportagem baseou-se para chegar aos números totais –, Cruz argumenta serem essas informações referentes a 2004 e 2005, apesar de publicadas em 2007. “Cuiabá não cobre 100% de sua produção, mas o que é coletado é devidamente manejado ao ser levado para o aterro sanitário”.

De outra parte, o secretário municipal de Infraestrutura, Josué de Souza Junior, disse que o município está fazendo um levantamento de novas áreas para apresentação de um Estudo de Impacto Ambiental e também um Relatório (EIA/Rima) para a criação de novos aterros sanitários, além da estruturação, melhora e criação de novos centros de reciclagem.

Argumentou também que a prefeitura trata de forma adequada todo o processo de coleta do lixo, apesar de reconhecer que algumas falhas persistem, porém, estas são minimizadas e há trabalho em andamento para dirimi-las. “Os bairros onde funcionam esses centros de reciclagem já estão dentro de um padrão de sustentabilidade; por enquanto, são apenas quatro cooperativas, mas o objetivo é chegar a pelo menos 20”, argumenta.

Segundo a Abrelpe, 10 milhões de toneladas de resíduos deixam de ser coletados no Brasil todos os anos. Na região Centro-Oeste, só 13% eram coletados em 2007.

RECICLAGEM – Método é o melhor no manejo dos resíduos

Uma das alternativas para o manejo adequado dos resíduos sólidos e com e menor impacto ambiental é a coleta seletiva. Nela, o lixo é separado em resíduos úmidos (todo resto de comida e papéis utilizados nos banheiros) e resíduos secos (todos os outros papéis, plásticos, garrafas e embalagens).

Nesse processo, o material reciclável é colocado em esteiras e o material orgânico vai para bioestabilizadores para passar por sua estabilização biológica e homogeneização (mistura) física, resultando, no final do processo, um composto orgânico ainda semi-curado mas já pronto à normalização da atividade biológica, por processo de “envelhecimento” ao tempo. A partir daí, essa sobra pode ser utilizada como adubo após novo trato químico. O que sobrar vai para queima.

É uma técnica cara (envolve caminhões prontos a receber resíduos em diferentes compartimentos) e demorada, dependente da conscientização das pessoas para separar material reciclável de composto orgânico.

Inventada por alemães e suíços ainda em princípios do século 20, permanece como das poucas alternativas viáveis, pois apenas 5% do que sobrar após as separações e compactações vai ser efetivamente queimado, mas o problema é que vai o CO2, dióxido de carbono, atual flagelo da atmosfera e da humanidade, potencializadora do aquecimento global.

Fiscalização será reforçada

Além de prometer aperfeiçoar o suporte às cooperativas de catadores de material reciclável, prefeitura e Estado garantem que vão apertar a fiscalização nas diferentes partes do encaminhamento dos resíduos logo após eles saírem das casas dos cuiabanos e mato-grossenses. “O Estado já notificou todos seus municípios, porque a responsabilidade quanto ao resíduo urbano é do poder local”, explica Solange Cruz, da Sema. A secretaria estadual é a responsável pela fiscalização, mas o ônus de gerenciar é do município, segundo a Lei 7.862/2002”.O titular da Seminfe, Josué de Souza Junior, disse que além de melhorar a reciclagem, a prefeitura pretende criar os chamados “Ecopontos”, locais espalhados pela cidade onde moradores vão tomar consciência de como separar adequadamente seu lixo e também transportar para lá a parte reciclável assim que for criada uma linha sistematizada de coleta. Essa sistematização já está em andamento. Prazo para entrada em operação? “Até o final deste ano. Também estamos intensificando a fiscalização sobre as empresas que comercializam o material reciclado”, garantiu o secretário.

A parte humana envolvida hoje na separação dos resíduos sólidos ainda exibe um duro caráter de sofrimento e baixos ganhos. Entre os muitos contatados pela reportagem, encontramos Wilson (nome fictício), 11 anos, a trabalhar no aterro sanitário, para onde vai essencialmente sobra de construções. Ele vai lá em busca de ferro e cobre. “Chego aqui às 6 horas da manhã quando estou de férias, como agora. Fico até o anoitecer”. E você não almoça? “Só quando chego em casa”. Também não havia água à vista. Faturamento mensal? “Acho que uns 200, 300 reais”.

Do outro lado da ponte, em Várzea Grande, a situação é um tanto pior. Em meio ao cheiro forte e às revoadas de urubus e outras aves de rapina, um dos recicladores nos chama. “Pergunta pro Tião [Zaeli, vice-prefeito] quando é que vamos receber o ônibus e o galpão que ele prometeu pra nós aqui, quando tava em campanha, porque estamos esperando até hoje”, pede o rapaz de 20 anos e uma jornada diária de pelo menos 10 horas. Todo dia, exceto domingo.

Fonte: Folhabnet

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