Material reutilizado rede R$ 8 milhões no Brasil Reviewed by Vida sustentável on . Negócios com produtos reciclados, entulhos e material de demolição movem mercado em franco crescimento no Brasil, transformando-se em excelente alternativa de r Negócios com produtos reciclados, entulhos e material de demolição movem mercado em franco crescimento no Brasil, transformando-se em excelente alternativa de r Rating:
Você está aqui:Home » Economia » Material reutilizado rede R$ 8 milhões no Brasil

Material reutilizado rede R$ 8 milhões no Brasil

Negócios com produtos reciclados, entulhos e material de demolição movem mercado em franco crescimento no Brasil, transformando-se em excelente alternativa de renda.

O bidê de 1890, a fechadura do século 18, a cadeira de barbeiro enferrujada e o tijolo esbranquiçado de edifício antigo destruído, que em vários momentos têm como destino o lixão ou o aterro sanitário, podem virar luxo. Todo esse material, se restaurado ou reciclado, chega a valer quatro, cinco ou até dez vezes mais do que produtos semelhantes que estão nas prateleiras das lojas, novinhos em folha. Os entulhos e os objetos usados, quando bem recuperados, são grande alternativa de negócios. Se ganham valor agregado e se transformam em mercadorias exclusivas e de bom gosto, têm como público-alvo um consumidor seleto, da classe AA. E viram produtos tipo exportação, como é o caso das engenhosas bolsas ecológicas, bijuterias de alumínio reciclado ou flocos de PET, produzidos em Minas Gerais e vendidos para a China, Europa e Estados Unidos.

O Brasil produz diariamente cerca de 150 mil toneladas de lixo urbano, segundo levantamento do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), associação sem fins lucrativos que atua com pesquisa e divulgação de informação sobre resíduos sólidos. A maior parte (de 55% a 60%) acaba tendo como destino os lixões, segundo avaliação do Cempre com base em estimativa de órgãos de fiscalização ambiental. A reciclagem representa cerca de 12% do lixo urbano. E esse entulho que é reutilizado movimenta hoje no Brasil cerca de R$ 8 bilhões ao ano, conforme a Cempre.

O que deixa de ir para o lixo ganha valor nas mãos de quem aprendeu a ver além dos entulhos e transforma mercadorias, a princípio, sem valor em grandes negócios. “A madeira de demolição pode ser comparada ao lixo reciclado e isso agrada porque ajuda a preservar a natureza.” A observação do empresário Maurício Tait, dono da Tait Madeira de Demolição. Ele explica que a consciência ecológica é um peso na valorização do produto, que até pouco tempo era queimado e transformado em lenha, em antigas fazendas do Sul do país. Hoje, as raridades são procuradas por arquitetos e engenheiros. “Pessoas sensíveis e de bom gosto”, que podem pagar até R$ 120 pelo metro quadrado da peroba do campo, bem mais que os R$ 15 pagos pelo metro de uma madeira de reflorestamento.

Os valores movimentados pelo negócio do entulho podem, inclusive, superar a marca dos R$ 8 bilhões em curto espaço de tempo. “Isso se alguns gargalos forem eliminados”, diz André Vilhena, diretor-executivo da Cempre. Ele aponta como barreira para o desenvolvimento do setor a falta de capacitação técnica para a atividade, de uma política tributária coerente e a baixa participação popular na reciclagem. “A tributação é a mesma de uma matéria-prima virgem, nova. Mas o reciclado tem ainda um custo alto da logística reversa, que é o custo para encontrar o produto usado”, observa Vilhena. Em Belo Horizonte, o gasto de coleta seletiva foi de US$ 144,59 por tonelada de lixo em 2008 (com o dólar calculado a R$ 1,70 na época). O custo da coleta seletiva, em relação à tradicional, é cinco vezes mais alto. Mas está em queda. Em 1994, era 10 vezes mais alto, segundo a Cempre.

E é exatamente a matéria-prima reaproveitada que alimenta os planos do artista mineiro Antônio de Souza Mendes. O papel que saiu do lixo para ser reciclado é a principal matéria-prima utilizada nos oratórios do artista. O produto substitui a madeira e, juntamente com pazinhas de misturar café, restos de fios, barbantes, capas de cadernos e até pequenos arames que fecham sacos de pão, deixa de ir para o lixo para dar forma a incríveis réplicas dos séculos 17 e 18.

As peças, que são vendidas por R$ 40 e R$ 80, podem ser encontradas em lojas de Belo Horizonte e Ouro Preto, e também em locais como o Museu do Oratório. “Sempre tive essa preocupação de reaproveitar e estou sempre tentando encontrar novos produtos que possam ser usados na confecção das peças”, diz Antônio, que trabalha como gerente de uma cozinha industrial, mas já pensa em se aposentar e viver somente dos oratórios ecologicamente corretos.

O economista Antônio Lisboa de Matos, que trabalha com vendas de materiais de construção desde 1979, enxergou um novo destino para as telhas, grades, madeira e lustres de obras demolidas que iam direto para os lixões. “Eu via que até a madeira, escassa nos dias de hoje, ia para o lixo”, afirma. Na tentativa de recuperar o material de demolição, montou a Lisboa Demolições. Em sua lista estão clientes vips, como a atriz Cássia Kiss, produtores de filmes, designers e arquitetos renomados. “As pessoas que gostam de demolição não se preocupam com o preço. Elas têm cultura e gostam do exclusivo”, diz Matos.

NÚMEROS DO DESPERDÍCIO

Lixo urbano

150 mil toneladas/dia

55% a 60% É Quanto vai para lixões

12%Reciclagem de lixo urbano

COLETA SELETIVA

ANO MUNICÍPIOS BRASILEIROS
1994 81
1999 135
2002 192
2004 237
2006 327
2008 405

COMPOSIÇÃO DA COLETA DE LIXO
Papel e papelão 39%
Plásticos 22%
Rejeitos 13%
Vidros 10%
Metais 9%
Produtos longa vida 3%
Diversos 3%
Alumínio 1%

CUSTO MAIOR DO QUE A COLETA CONVENCIONAL
Ano Vezes
1994 10 vezes
1999 8 vezes
2002 5 vezes
2004 6 vezes
2006 5 vezes
2008 5 vezes

Fonte: UAI Marinella Castro / Geórgea Choucair – Estado de Minas

Voltar para o topo