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O reúso de água pode ser a solução para o abastecimento nas Grande Cidades

REUSO DE ÁGUA NO VASO SANITÁRIO

 

Em novembro de 2009 publicamos um link para um texto da ECA/USP, o texto é sobre o reúso de água como solução para o abastecimento de água em São Paulo, infelizmente esse link foi perdido e não encontramos o texto em qualquer outro lugar. Então resolvemos publicar o artigo aqui, já que achamos de suma importância este tipo de conteúdo alertando para o reúso da água.

 

O reúso pode ser a solução para o abastecimento de água em São Paulo
Raquel Vitorino e Roberto Matajs *

O abastecimento de água na área metropolitana de São Paulo pode entrar em colapso se não houver uma diminuição da demanda e uso racional desse recurso. A bacia hidrográfica do Alto Tietê, que abastece a região, possui disponibilidade hídrica correspondente a menos de 10% do recomendado pela classificação da ONU (Organização das Nações Unidas).

Atualmente a bacia fornece um total de 201 metros cúbicos de água por habitante/ano, enquanto a ONU recomenda 2.500 m³/hab/ano. “A única maneira de atendermos 100% da população é por meio de programas, como o de uso racional da água”, afirmou a analista de saneamento da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), Maria Alice da Cunha Nariyoshe.

Segundo ela, o desvio de águas de lugares distantes como Ribeira do Iguape, no litoral sul, ou Alto do Paranapanema, na região noroeste do Estado, é praticamente inviável, por representar riscos ambientais e vultosos custos (veja texto abaixo).

Uma das soluções encontradas pela Sabesp para diminuir o consumo de água foi a implementação do PURA (Programa de Uso Racional da Água), que já está em seu nono ano. A partir do próximo semestre, a companhia disponibilizará um curso virtual dividido em seis módulos, que inclui equipamentos economizadores de água, dicas de economia e procedimentos de controle de consumo. Um manual de gerenciamento do consumo de água também estará na internet. “O nosso objetivo é atuar na demanda da água. Trabalhamos com a diminuição da necessidade. Por meio do desenvolvimento tecnológico, ações educativas e culturais, leis e normas”, afirmou Maria Alice da Cunha Nariyoshe.

O desenvolvimento do projeto, implementado em 1996, foi feito em parceria com a USP (Universidade de São Paulo), e custou cerca de R$ 700 mil. “Em 96 não havia equipamentos economizadores de água. A Sabesp incentivou o investimento nessa tecnologia. A Escola Politécnica desenvolveu a metodologia de como implantar uma intervenção de engenharia em um prédio para o uso racional da água e o IPT fez as auditorias e testes”, explicou a analista.

Maria Alice afirma que houve uma redução média entre 20% e 30% no consumo de água nas empresas que implantaram o PURA. Já entre a população, a redução foi em torno de 10%.

Reúso de água

Uma alternativa criativa para o problema pode ser o reúso da água doméstica. A ONG (Organização Não-Governamental) Sociedade do Sol mostra que, com materiais baratos e um sistema simples, é possível reaproveitar a água do chuveiro no vaso sanitário.

O projeto, que está em fase de finalização, promete proporcionar uma economia de cerca de 30% no consumo. “Considerando uma residência com 4 pessoas onde cada um toma 1 banho por dia, poderia haver um volume de 160 litros de água a ser reutilizado diariamente e, ao longo de um mês, 4.800 litros ou 4,8 metros cúbicos de água potável não teria ido pela descarga abaixo”, afirmou o coordenador da instituição, Augustin T. Woels.

Ele comenta ainda que a aplicação desse projeto pelas prefeituras colaboraria para manter as represas mais cheias, reduzir o consumo de água tratada distribuída na Grande São Paulo e postergar ou evitar obras de desvio da água limpa de municípios distantes.

Experiências de reutilização da água: Empresas, universidades e ONGs estão demonstrando como é possível, por meio da reutilização, reduzir o consumo de água potável em diferentes usos finais. Em inúmeras atividades, as águas residuais estão substituindo a água potável, o que traz economia para empresas, distribuidoras e usuários.

Cada vez mais é comum a imagem de caminhões pipas lavando as ruas com água de reúso. Só na grande São Paulo, são seis as prefeituras que já fazem uso desta água. Nas cidades de São Paulo, Barueri, São Caetano do Sul, Carapicuíba, Diadema e Santo André, após as feiras públicas, as ruas são lavadas com água reutilizada proveniente das estações de tratamento de esgoto. Outras treze empresas também aderiram à prática, como as construtoras OAS, VA Engenharia, Consdon e Marquise, que compram 172 mil litros de água de reuso por dia, desde julho de 2002.

O projeto está sendo desenvolvido há aproximadamente um ano e meio e pretende seguir o conceito de automontagem e utilização de materiais de fácil obtenção. “Estamos desenvolvendo três projetos de reuso de água simples que possam ser montados pelo próprio morador”, explica o engenheiro.

No site da ONG é possível ver os detalhes de montagem dos modelos para serem aplicados em residências térreas ou sobrados. Woelz adverte, porém, que os projetos não estão finalizados e que é necessário esperar os resultados sobre as pesquisas físico-químicas das águas residuais para poder iniciar a divulgação sem que haja risco para a saúde. Os manuais de montagem de cada modelo de reuso residencial serão disponibilizados gratuitamente na internet.

A importância desse tema já era de conhecimento há muito tempo também na Escola Politécnica da USP. Um grupo dirigido pelo professor Ivanildo Hespanhol, chefe do Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária, dedica-se ao estudo de reúso de água em todos os setores de consumo. “O CIRRA (Centro Internacional de Referência de Reúso de Água) tem como funções básicas desenvolver pesquisas e tecnologias adequadas, proporcionar treinamento e divulgar informações visando a promoção, a institucionalização e a regulamentação da prática de reúso no Brasil”, explica o professor.

A água, quando é utilizada em outras atividades que não o consumo, não precisa apresentar todas as características que a tornam potável, podendo ser utilizadas as águas residuais ou águas cinzas, outros nomes que a água de reúso recebe. Hespanhol comenta que o Brasil ainda não tem uma legislação específica que limite e contole o reúso de água, tornando difícil saber o que pode e o que não pode ser feito com a água reutilizada sem colocar em risco a saúde das pessoas. “Independente do tipo de reúso que se dá para a água residual, ela deve apresentar-se incolor e inodora e ter sido filtrada e desinfectada”, finaliza o professor e diretor do CIRRA.

Exemplos de sistemas de reúso que estão sendo desenvolvidos

1) REUSO DE ÁGUA NO VASO SANITÁRIO

2) Atenção: esse projeto ainda não foi liberado; projeto em fase de desenvolvimento e aperfeiçoamento.

 

Esquema de reuso de água sobrado

3) Atenção: esse projeto ainda não foi liberado; projeto em fase de desenvolvimento e aperfeiçoamento.

O reúso da água

* Roberto Matajs é físico e mestre em energia, há dez anos trabalha na área de conservação e uso racional de energia, além de educador ambiental da ONG Sociedade do Sol e editor de livros didáticos da Scipione; Raquel Vitorino é jornalista.

 

Produto do Núcleo José Reis de Divulgação Científica da ECA/USP – São Paulo – Maio/Junho de 2005 – Ano 5 – Nº26
Textos escritos e editados pelos alunos do Curso de Especialização em Divulgação Científica, do NJR-ECA/USP

[Via]

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